7 junho, 2006
O quebra-quebra no Congresso Nacional, que aconteceu ontem em Brasília, merece reflexão. Se o protesto chegou ao chamado vandalismo, algo há por baixo do tapete. Qual é a sujeira que se esconde?
Independente de concordar ou não com o Movimento de Libertação dos Sem Terra, responsável pelo evento, independente de concordar ou não com vandalismo, ou, ainda, se a causa é justa, tentemos interpretar o discurso que reina neste país.
Afirma-se que os líderes do movimento utilizaram táticas de guerrilha e planejaram com antecedência a invasão à Câmara dos Deputados. Questiono: por acaso a corrupção, o mensalão e a sujeirada toda do colarinho branco não são atos planejados? Não são baseados em estratégia de qual fundo roubar, qual verba desfalcar, qual momento desviar, qual conta depositar?
Se vandalismo é o ato ou efeito de produzir estrago ou destruição de monumentos ou quaisquer bens públicos ou particulares, de atacar coisas belas ou valiosas, com o propósito de arruiná-las, o que dizer do dinheiro público? Não é bem? Então, por analogia, muitos deputados e senadores são vândalos!
Existem os vândalos que mostram a cara e os que não mostram. Questiono, também, se vídeos veiculados na mídia, ou mesmo aqueles apreendidos de “coleções” particulares, servem para incriminar e punir pessoas comuns, por que não servem para parlamentares, juízes e afins?
Dizem também que, na pancadaria concreta de pedras e paus, houve sangue, ferimentos, traumatismo craniano, talvez até morte. Na pancadaria invisível da corrupção há morte de milhões de brasileiros com fome, sem saúde pública, sem educação. Dos paus e pedras invisíveis crianças são mortas diariamente. De ordem de vândalos engravatados há a morte de prefeitos, juízes e outros que “sabem demais”.
Mas dirão que não é luta armada, guerrilha. Sim, não é. As armas são outras. Cada batalha tem seus instrumentos específicos. É claro que a violência explícita chama à atenção, incomoda e amedronta. Mas a violência silenciosa, não seria tão ou mais perniciosa?
Se, hoje, o povo tem medo dos parlamentares corruptos e dos inatuantes, por que esses não temem o povo? Talvez se a pancadaria tivesse alcançado o objetivo de adentrar no “salão de baile”, no parlatório, que vive adiando votações e cujos “representantes do povo” usam os microfones para discursarem para seus pares, num jogo e troca de figurinhas, como se não tivessem mais o que fazer, eles tivessem medo da democracia.
É engraçado ouvir o que diziam os deputados e senadores no plenário enquanto o “pau comia” do lado de fora. A frase “atentado à democracia” foi diversas vezes repetida. Se houvesse realmente esse propalado sistema político cujas ações atendem aos interesses populares, não haveria motivo para entrada forçada na casa do povo.
No fim das contas nos resta saber quem quebra mais, quais prejuízos são maiores neste país continental de latifundiários e sem-terra. Um alerta: tome cuidado com as pedras e os paus invisíveis que podem acertar a sua cabeça a qualquer momento, ainda que você não sinta a dor exatamente na hora em que a pancada acontece. Mas, que o quebra-quebra de ontem foi quase uma catarse nacional, isso foi.
Aviso importante:
A visualização deste blog fica melhor em computador. Todos os textos (e esboços) postados neste blog são de autoria de Solange Perpin
(Solange Pereira Pinto). Portanto, ao utilizar algum deles cite a fonte. Obrigada!
quarta-feira, 7 de junho de 2006
segunda-feira, 22 de maio de 2006
Minha carta de amor ao povo brasileiro

22 maio, 2006
Prezada nação brasileira,
É com muito orgulho que venho me solidarizar com todos vocês, ou melhor, nós. Eu apóio irrestritamente a corrupção que assola nosso país. Sou adepto do mensalão e acredito que um governo só pode sobreviver em condições de manipulação, cretinice, arranjos e golpes variados. Admiro também a pobreza, a fome, e quanto mais pobres existirem melhor para um Estado. Quero, assim como todos os brasileiros, ver os pobres cada vez mais miseráveis e lascados e os ricos cada vez mais afortunados e individualistas. Apoio 100% o capitalismo, os juros altos, o lucro dos bancos, a venda das estatais, o golpe da Bolívia, o aumento do desemprego. Apóio, ainda, os privilégios que os bandidos têm, as superpopulações carcerárias, a corrupção policial, a venda ilegal de armas, a entrada de drogas e armas nos presídios, bem como de celulares e o que mais for necessário para uma ampla comunicação dos presidiários. Apoio 100% o PCC e o aumento geral da violência. Apóio a pirataria, a mão-de-obra escrava, o trabalho infantil e o tráfico de tudo. Desejo ver, também, o aumento vertiginal das contas públicas, o aumento do salário dos parlamentares. Isso é uma delícia! Quero que se amplie o número de partidos políticos. Em relação aos movimentos sociais, sou contra. Apóio a preservação e ampliação dos latifúndios improdutivos, e quem não tem terra que se dane, devia nascer de novo. No sertão, acho que a seca deve continuar e matar um pouco mais de gente. Ah, sou favorável às enchentes nas grandes cidades, destruindo cada vez mais barracos, pois apóio fundamentalmente o descaso dos governos e as péssimas condições urbanas. Apóio o roubo nas obras públicas, os buracos nas estradas, os acidentes de carro, e a realização de edificações de terceira categoria vindas de licitações. Apóio as cartas marcadas e o desvio de recursos públicos. Antes que eu me esqueça, sou a favor do aumento de impostos em quantidade e em valor. Quero pagar por tudo cada vez mais, mesmo que não tenha retorno. Quero que aumente dia-a-dia o número de favelas e favelados. Sou totalmente contra a distribuição de renda, de riquezas e de recursos. Sou a favor do sucateamento dos hospitais públicos, do aumento dos planos de saúde e de suas mensalidades que ainda são muito baratas, e que falte cada vez mais medicamentos para todos, pois sou contra o desenvolvimento de pesquisas científicas e apóio a importação. Quero também ver cada vez mais ver meninos e meninas jogados nas ruas, exploração sexual, estupros, mendicância, para achar que minha vida está cada vez melhor. Apóio a escola que não tem compromisso com a educação, que só pensa em dinheiro e que possui professores incompetentes, assim como adoro os pais que não estão nem ai para a educação de seus filhos e não reivindicam nada. Apóio os pais irresponsáveis que delegam tudo. Apóio o aumento do número de igrejas e a diminuição do número de escolas. Quero que o dízimo seja aumentado, porque 10% são muito pouco para a salvação de uma vida. Apóio o aumento de pecados para cada cidadão. Apóio as superpopulações nas cidades e a falta de infra-estrutura, penso que tem mesmo é que se fazer a distribuição desordenada de lotes e trocar votos por camisetas. Apóio totalmente essa idéia de eleições fraudulentas, com caixa dois. Aliás, acho pouco, tem que ter o caixa três, quatro e cinco. Apóio o aumento das epidemias, a falta de informação, a falta de prevenção. Apóio o desmatamento, a poluição e o uso desordenado dos recursos naturais, que se danem as gerações futuras, pois não tenho nada a ver com isso. Sou contra o controle da natalidade e quero ver mais crianças desnutridas, mortas e jogadas nos rios. Apóio o que o IDH (índice de desenvolvimento humano) caía cada vez mais. Quero o Caje e a Febem como exemplo de escolas. Apóio o vandalismo, os ônibus lotados, a falta de lixeiras nas ruas, as calçadas quebradas, os asfaltos esburacados, e a ausência de banheiros públicos nas cidades. Quero sentir cheiro de mijo e bosta por onde passar. Apóio o aumento da dívida externa, o colonialismo e a ditadura a porretes. Apóio a tortura, a escravidão, o racismo e o preconceito. Apóio o aumento de balas perdidas e de contrabando de órgãos humanos. Apóio a TV e quero ver o Faustão e o Gugu diariamente. Apóio a redução de bibliotecas, a proibição de livros, queima e censura. Apóio o aumento dos preços para acesso à cultura e às artes. Sou totalmente contra a liberdade de expressão. Apóio as brigas de torcidas nos estádios de futebol. Quanto mais truculentas, melhor. E, ainda, apóio a prostituição das belas mulheres brasileiras, calientes e tropicais. Apóio o turismo sexual. Apóio toda a desgraça que esse país vive e ainda acho pouco. Quero mais. Apóio a falta de senso crítico, assim como apóio o aumento a ignorância e do analfabetismo. Apóio o moralismo e quero a morte total da ética. Finalmente, apóio irrestritamente a passividade do povo brasileiro. Apóio com todo o meu amor e solidariedade nosso jeitinho de ser, afinal cada um tem o direito de ser como é e ser conveniente com os seus próprios interesses. Vamos gritar juntos, todos juntos, neste ano de copa do mundo e de eleições, vamos gritar bem alto: abaixo a coletividade! E vamos cantar: somos brasileiros com muito orgulho! O melhor do Brasil é o BRASILEIRO! VIVA! VIVA! VIVA!
sábado, 20 de maio de 2006
Intervenção
"Sociedade da imagem, das máscaras, do encarceramento do corpo. Do real ao virtual. Do virtual ao real. Vivos, mortos, fakes, concretos, imortais, mortais, falsos, hipócritas, verdadeiros. Virtumanos. Seres humanos. Quem somos? Quem seríamos? Quem seremos?"

terça-feira, 16 de maio de 2006
Arte - pais e filhos



Sem título
Autora: Lalá
Autora: Lalá
Técnica: mista
Data: maio/2006
******************
Data: maio/2006
******************
Crianças enxergam o mundo verde, florido, brilhante. Pegam restos de adultos e criam seus castelos. Os infantes produzem o que imaginam. Cortam, recortam, colam... Transformam! Sem dó, sem pudor, sem dor. Crianças agem. Adultos reagem. Que saudade de não ter crescido. Filhinha, salva a mamãe de ter emburrecido!
Título: sem título
Autora: Lulu
Técnica: mista
Data: maio/2006
Intervenção no livro de artista de Sédicla
Título: Poderíamos ser assim
Autora: Lili
Autora: Lili
Técnica: Desenho com bic sobre papel
Data: maio/2006
Data: maio/2006
...
Portas
eu fragmentos,
eu mãe,
mini-qualquer-coisa,
pensando alto,
versinhos
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Bruna Surfistinha e arte brasileira
27 Abril, 2006
O fenômeno "Bruna Surfistinha", a ex-garota de programa que numa iniciativa visionária abriu debate e polêmica por todo o país, é agora assunto no blog narrando seus programas, Raquel Pacheco, é best seller com "O doce veneno do escorpião.
Não tenho dúvida da inteligência e ousadia (principalmente) de Raquel, a ex-Bruna, que numa iniciativa original polemizou sobre as máscaras que cobrem a prostituição, a clientela, e, ainda mais, revela o país do futebol e do carnaval que não consegue falar sobre sexo tão abertamente como se imagina.
Se temos mulheres peladas nas avenidas o ano todo, temos uma exposição corporal de um país latino e tropical, temos também um moralismo palpitante que constrói uma hipocrisia brilhante. No dia 20 deste mês diretores do Banco do Brasil em Brasília retiraram do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro a obra "Desenhando em Terços", da artista plástica Márcia X, que integra a exposição "Erótica - Os Sentidos na Arte".
A exposição, que ficou em São Paulo durante quatro meses e foi vista por cerca de 56 mil pessoas, não sofreu na paulicéia qualquer reclamação sobre a obra censurada. Mas, na cidade maravilhosa dos biquínis fio-dental, topless e calor de 40º, a foto foi retirada, sob protestos da curadoria, por ter Banco recebido “centenas de reclamações”.
De um lado artistas indignados e retirando, em forma de protesto, suas obras da exposição, de outro, membros da sociedade católica Opus Christi, que tentam manter "Desenhando com Terços" fora do CCBB, entraram nesta semana na Justiça pedindo que a obra seja vetada em todo o país.
Ao que parece precisamos que os segredos de Bruna Surfistinha ganhem ainda mais destaque. Que seu livro seja mais que emblemático. Que a igreja mande vestir anjos nus. Que José, marido da virgem Maria, mãe de Jesus, que levou uma corneada de Deus e assumiu um filho que nem era seu, reivindique sua honra. Que o Cristo censurado, no enredo “Vamos vestir a camisinha, meu amor”, de Joãozinho Trinta, em 1989, volte às ruas. Se temos hoje bandeiras do Brasil cobrindo nádegas, virando bolsas, cangas, temos também outras leituras sociais. Ou então devemos levar os representantes da igreja para o plenário para impor moralidade política. Ora, que país é esse? Nesta hora fico com Nelson Rodrigues, todo casto é obsceno! É debaixo das batinas que mora o pecado... Alguém duvida?
O fenômeno "Bruna Surfistinha", a ex-garota de programa que numa iniciativa visionária abriu debate e polêmica por todo o país, é agora assunto no blog narrando seus programas, Raquel Pacheco, é best seller com "O doce veneno do escorpião.
Não tenho dúvida da inteligência e ousadia (principalmente) de Raquel, a ex-Bruna, que numa iniciativa original polemizou sobre as máscaras que cobrem a prostituição, a clientela, e, ainda mais, revela o país do futebol e do carnaval que não consegue falar sobre sexo tão abertamente como se imagina.
Se temos mulheres peladas nas avenidas o ano todo, temos uma exposição corporal de um país latino e tropical, temos também um moralismo palpitante que constrói uma hipocrisia brilhante. No dia 20 deste mês diretores do Banco do Brasil em Brasília retiraram do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro a obra "Desenhando em Terços", da artista plástica Márcia X, que integra a exposição "Erótica - Os Sentidos na Arte".
A exposição, que ficou em São Paulo durante quatro meses e foi vista por cerca de 56 mil pessoas, não sofreu na paulicéia qualquer reclamação sobre a obra censurada. Mas, na cidade maravilhosa dos biquínis fio-dental, topless e calor de 40º, a foto foi retirada, sob protestos da curadoria, por ter Banco recebido “centenas de reclamações”.
De um lado artistas indignados e retirando, em forma de protesto, suas obras da exposição, de outro, membros da sociedade católica Opus Christi, que tentam manter "Desenhando com Terços" fora do CCBB, entraram nesta semana na Justiça pedindo que a obra seja vetada em todo o país.
Ao que parece precisamos que os segredos de Bruna Surfistinha ganhem ainda mais destaque. Que seu livro seja mais que emblemático. Que a igreja mande vestir anjos nus. Que José, marido da virgem Maria, mãe de Jesus, que levou uma corneada de Deus e assumiu um filho que nem era seu, reivindique sua honra. Que o Cristo censurado, no enredo “Vamos vestir a camisinha, meu amor”, de Joãozinho Trinta, em 1989, volte às ruas. Se temos hoje bandeiras do Brasil cobrindo nádegas, virando bolsas, cangas, temos também outras leituras sociais. Ou então devemos levar os representantes da igreja para o plenário para impor moralidade política. Ora, que país é esse? Nesta hora fico com Nelson Rodrigues, todo casto é obsceno! É debaixo das batinas que mora o pecado... Alguém duvida?
sábado, 22 de abril de 2006
Aos poucos
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Eu voltei...
17 Abril, 2006
Feriado prolongado. Aracaju. Mar. Sol. Vento. Lua Cheia. Hotel em frente à praia. Água limpa. Orla aconchegante e cuidada. Gente bonita. Beijo na boca. Sem hora pra dormir. Sem hora pra acordar. Piscina azul. Cerveja gelada. Caranguejo gordo. Livros de primeira. Papos de alto nível. Filosofia com gente interessante. Dinheiro no bolso. Paisagem fotográfica. Conforto. Comida boa. Serviço de primeira. Lençóis cheirosos. Toalhas brancas. Sono tranqüilo. Abraço apertado. Música de qualidade. Muita gargalhada. Sem telefone. Sem compromisso. Sem hora marcada. Pés descalços na areia. Ondas beijando as pernas. Lagosta na brasa. Violão ao luar. Vida leve. Assim se passaram três dias em meu pensamento.
Feriado prolongado. Aracaju. Mar. Sol. Vento. Lua Cheia. Hotel em frente à praia. Água limpa. Orla aconchegante e cuidada. Gente bonita. Beijo na boca. Sem hora pra dormir. Sem hora pra acordar. Piscina azul. Cerveja gelada. Caranguejo gordo. Livros de primeira. Papos de alto nível. Filosofia com gente interessante. Dinheiro no bolso. Paisagem fotográfica. Conforto. Comida boa. Serviço de primeira. Lençóis cheirosos. Toalhas brancas. Sono tranqüilo. Abraço apertado. Música de qualidade. Muita gargalhada. Sem telefone. Sem compromisso. Sem hora marcada. Pés descalços na areia. Ondas beijando as pernas. Lagosta na brasa. Violão ao luar. Vida leve. Assim se passaram três dias em meu pensamento.
terça-feira, 11 de abril de 2006
Relaxando...
11 Abril, 2006
Nos próximos dias vou tirar poeira dos ombros
e mergulhar nas águas de Aracaju...
Apesar do pouquíssimo tempo que passarei por lá,
serei intensa para desfrutar os prazeres
que só a beira-mar proporciona...
uma cervejinha...
um caranguejo...
um violão à luz de prata...
Serei brindada com uma lua cheia!
O cheiro de mar...
a brisa no rosto...
e um tempo legal para a cabeça...
Nossa, parece até minha primeira vez!
A emoção de poder reencontrar na areia
o descanço prometido para uma vida
que anda prá lá de atribulada!
Lá ficarei longe da vida virtual
e bem perto da natureza concreta...
Sem orkut, sem blog e sem MSN...
Não sei se olharei mais o sol
ou as estrelas...
Não sei se tomarei mais água de coco
ou caipirinha de lima...
Não sei se lerei mais linhas
ou usarei mais fala...
Não sei de nada, e como é bom não saber!
Vou para Aracaju com a alma livre
para pular ondas e sentir o sal correr pelo corpo...
Vou para Aracaju ficar mais perto do horizonte
e mais distante de uma vida de planalto...
Vou para Aracaju descansar sob coqueiros,
e adormecer em redes de balanço...
Vou para Aracaju chegar na ponta do mapa
e do pés para ver melhor o cometa...
É gente, finalmente vou para Aracaju
e quando voltar contarei o que se passou por lá...
beijão pra todo mundo!!!
Fui....
Nos próximos dias vou tirar poeira dos ombros
e mergulhar nas águas de Aracaju...
Apesar do pouquíssimo tempo que passarei por lá,
serei intensa para desfrutar os prazeres
que só a beira-mar proporciona...
uma cervejinha...
um caranguejo...
um violão à luz de prata...
Serei brindada com uma lua cheia!
O cheiro de mar...
a brisa no rosto...
e um tempo legal para a cabeça...
Nossa, parece até minha primeira vez!
A emoção de poder reencontrar na areia
o descanço prometido para uma vida
que anda prá lá de atribulada!
Lá ficarei longe da vida virtual
e bem perto da natureza concreta...
Sem orkut, sem blog e sem MSN...
Não sei se olharei mais o sol
ou as estrelas...
Não sei se tomarei mais água de coco
ou caipirinha de lima...
Não sei se lerei mais linhas
ou usarei mais fala...
Não sei de nada, e como é bom não saber!
Vou para Aracaju com a alma livre
para pular ondas e sentir o sal correr pelo corpo...
Vou para Aracaju ficar mais perto do horizonte
e mais distante de uma vida de planalto...
Vou para Aracaju descansar sob coqueiros,
e adormecer em redes de balanço...
Vou para Aracaju chegar na ponta do mapa
e do pés para ver melhor o cometa...
É gente, finalmente vou para Aracaju
e quando voltar contarei o que se passou por lá...
beijão pra todo mundo!!!
Fui....
segunda-feira, 3 de abril de 2006
Sobre a criatividade
Acredito que toda criação exige aquecimento. Assim como para correr ou caminhar precisamos nos alongar, para escrever precisamos esticar o olhar e aquecer as idéias. Para pintar precisamos esquentar os pincéis. Para o sexo precisamos das preliminares. Então, aquecimento, concentração, acolhimento são essenciais para a criatividade. No meu caso, uma conversa me aquece para uma crônica; a leitura de um livro gostoso me aquece para a leitura de um texto mais chato ou técnico; desenhar sem compromisso, rabiscando, me aquece para a pintura de um quadro... Cada um tem sua forma de aquecimento, de alongar as idéias e o espírito. O importante é encontrar o próprio jeito de caminhar...
.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
O que é mesmo fidelidade?
Por Solange Pereira Pinto
Lançado em 2005 pela editora Agir, o livro Amor em segredo, de Sonia Rodrigues, traz crônicas autobiográficas que revelam o olhar da escritora, filha do amor e da “infidelidade” de Nelson Rodrigues, sobre abordagens variadas do tema amor e sexo.
Na primeira parte da obra, a mais interessante na minha opinião, Sonia fala de intensidade, armadilhas, amor, infidelidade, fidelidade por obrigação, sobrevivência, cultura de segredos, família, transgressões, perversões. Enfim, discorre sobre a gama de situações que envolvem as relações e o amor entre homem e mulher e família.
A autora também repete quanto a sua vocação para a escrita e logo no segundo texto adianta “é bom sobreviver às histórias, mas o melhor mesmo é ter o que contar”... “Se as pancadas não doessem, não precisaria transformá-las em palavras, em histórias...exorcizo os tigres com a palavra. Às vezes, ganham eles. Outras, ganho eu...quando a gente sobrevive, as recordações ficam divertidas”. Amor em segredo é de leitura rápida, estrutura e linguagem simples, para quem gosta de autobiografia em forma de crônica e devaneio.
Trechos do livro:
“Não sei o que é pior. Amar muito e se machucar ou amar certo e não se machucar. Voltando ao meu pai, à minha origem apaixonada: no amor a gente não faz o que quer, faz o que pode.”
“Só isso. Amar quem a gente quer amar, trair quando trais é a única alternativa, contar histórias para sobreviver a elas.”
“Preciso menos de quem me traduza a vida. Mas ainda preciso de companheiros de versão.”
“Eu fui infiel naquela vez e, em todas as poucas vezes em que fui infiel às pessoas que amo, o fui porque minha sobrevivência estava ameaçada.”
“Compreender que, na prática do amor, é impossível seguir modelos. Comprovar que a fidelidade não depende da gente, e simj da pessoa amada. Reconhecer que a fidelidade por obrigação é uma virtude vil. É indigno, é vil ser fiel a quem nos trai, a quem não nos ama como achamos que merecemos ser amados. Por isso, me espanta quando as pessoas acreditam que podem amar mal e ser poupadas. Não são. Essas pessoas se enganam. Por trás, na surdina, as esposas, os maridos, os filhos, os amigos estão se vingando do desamor”.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
Livro bom!
O velho que acordou menino (Ed. Planeta, 2005), de Rubem Alves, narrando memórias de sua infância, esclarece uma série de costumes que repetimos sem saber ao certo de onde vieram. Assim como ele não sabia a origem de muita coisa que "era como era", nós vamos incorporando hábitos sem perceber quantos antes já os viveram.
Ele reconta Minas Gerais, a maria-fumaça, o urinol, o fogão à lenha, o alpendre, o porão, os escorpiões, as jaboticabeiras, as praças,o telefone à manivela, velórios, casamentos arranjados, os brinquedos artesanais inventados, o silêncio entre pais e filhos, a submissão feminina, a igreja e outros adereços que montam uma paisagem singular, de fotografias da memória, com a sempre surpreendente e simples linguagem, tão peculiar de suas crônicas.
São inúmeras as reflexões. O livro traz a tona a sensação do quanto iguais são nossos medos, nossos sonhos, nossas dores. É mais que um testemunho de vida, é a sua cumplicidade com ela.
"É curto o caminho que vai dos sonhos a algum terreno baldio escuro..."
"Por isso eu me senti sempre órfão. Não tinha com quem falar sobre as minhas dores.
Se eu as trouxesse a ele minhas dores, meu pai não saberia acolhê-las.
Seria doloroso demais. Para ele. Ele era fraco. Empunhava sua vara de condão e minhas
dores se transformavam em risos. Para ele. Mas em mim elas continuavam a dore. Fui sempre sozinho."
"Quando jogamos conversa fora voltamos a ser crianças: soprando bolhas com palavras, bolhas que serão logo esquecidas".
terça-feira, 3 de janeiro de 2006
Filme do mês
Quem somos nós?
Questões se desenvolvem sobre o conceito de Deus e sobre a construção do que é ou não real na vida de nós humanos. Percebendo a ciência que na atualidade o vácuo obtém uma dimensão quase suprema, e por sermos simples compostos de carbono e 90% de água, que a matéria é algo por dizer intangível, que nesse sentido velhos paradigmas terão que ser rompidos para que a existência assuma novo lugar.
Apresenta que o cérebro humano, por meio de suas sinapses, fará conexões variadas a partir das inúmeras experiências vividas pelo consciente, pelas escolhas individuais, e que vícios emocionais serão condutores de outras escolhas, das próximas buscas. Dita que as emoções somos nós e que nós somos as emoções, simplificando emoção é vida.
A proposta é que se modifique o modo de “olhar” e de construir experiências para que o bioquímico que compõe o ser humano não mais necessite de velhos padrões de acontecimentos e relações, ou seja, que tenha a partir daí a condição de criar novas realidades, para sair do vício.Positivamente, o filme questiona, filosoficamente, que as verdades são relativas, vez que são “permanentes” em cada momento histórico da humanidade.
Outro ponto de destaque é remeter ao ser humano a responsabilidade para própria condição terrena, para sua sorte ou revez, sem imputar tão somente a um ser superior a capacidade de lançar ou reverter os infortúnios.
O homem deve assim assumir que é o gerador de suas lástimas e venturas a partir da própria construção mental, da qual o pensamento dá corpo à realidade em que vive, e suas escolhas traçam as conseqüências de suas atitudes.
O ser humano torna-se o Deus do próprio destino, fazendo parte de uma natureza plena, de uma unidade maior, na qual não existe um ser à parte ou afastado de si mesmo, como conceituam várias religiões acerca de Deus.
Para os mais céticos, ou quem sabe para os mais crédulos, diria que essa é a tendência da verdade da era em que vivemos, seja pela história ou pelos experimentos que fomos capazes de desenvolver até este século XXI.Resumindo, o mundo tem várias formas de realidade em potencial, até você escolher a que quer.
domingo, 25 de dezembro de 2005
Autoeu
Autoeu
Na palheta escolho a face
humor lilás
dor marron
alegria amarela
tristeza neon
Em arco-íris
levitam pensamentos
dos negros aos incolores
dos ácidos aos indolores
Na palheta escolho a face
das tintas tão misturadas
dentro de mim.
domingo, 11 de dezembro de 2005
Sobreviventes
Para Vinícius de Moraes
Disformes, nascemos. Nus.
A caixinha de música, repetitiva a embalar sonos. Arregalantes novidades diárias a encher berços.
Tecidos enrolados esperando a tesoura social. Em cortes moldados vamos crescendo.A máquina do pensamento bordando minuto a minuto. Vamos nos convertendo. Tornando letras, números, nomes.
Com o tempo surgem os recortes, as passamanarias, os galões, as borlas.Transformamo-nos em adornos a serem apreciados. Sol a sol as melhores vestes. Emoções e instintos represados, no alinhavo. Na marca do giz.
No patchwork cotidiano, um dia nos descobrimos trapos. Pedaços de nós se amontoando nos varais da existência. Partes de outros se enviesando em nossas costuras.
O pânico de ver, ou mostrar, a alma desnuda, encardida, mal acabada. Com agulha e linha passamos os dias a emendar e remendar buracos, fissuras. A sedução para encontrar a armadilha, a aceitação. Pessoas rotas caminhando sem suas rotas.
Na melancolia da lua, na noite se encontram os avessos. Bailando na corda bamba...vai...vai...vai...Lá estão... os amantes impulsivos. Os artistas instintivos. Os neuróticos assumidos.
A dor da lucidez buscando regalo na embriaguez. Almas descosturadas, puídas pela sensibilidade. A compulsão de amar. A poesia. A paixão. O prazer.
Esfarrapados de desejos desfilando na boemia.
Ah, Vinícius...Ah, sensata insensatez...
As contradições. O caos. A ambivalência. O conflito. Reconhecer que os botões podem se soltar. O zirzimento se abrir. O viés desenviesar. Ver que a segurança é falsa sensação.
As linhas velhas. Tecelagens finas. Costuras toscas. Aceitar-se rasgado para, imediatamente, viver.
Os aspectos sombrios. A carne viva. A consciência aguda. Vão caminhando corajosamente os maltrapilhos da razão.
Quem costura agora é a engenhoca dos sentimentos. Juntando retalhos, tecendo coloridos mantos de emoções. A espontaneidade do alfaiate de vida transbordante.Somos a matéria com que são feitos os sonhos.
A sensação de impotência insistindo em nos manter vivos. A impulsão da vida. A pulsão da morte. É preciso, mais que talento, permanente inquietude para desnudar a alma e revelar-se um trapo humano na melhor tradução de amor e poesia.
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Feliz dia das crianças!
e a dica de hoje é: leiam o sensacional Bartolomeu Campos de Queirós!!!!
Sua linguagem é envolvente, poética e com várias imagens para carregar o pensamento e o coração para além daqui.
Encontrar o Bartolomeu remexeu meu baú de verdades da infância e me deixou com gosto de pirulito colorido a vontade de escrever cada vez mais e ler, ler, ler.
Sua linguagem é envolvente, poética e com várias imagens para carregar o pensamento e o coração para além daqui.
Encontrar o Bartolomeu remexeu meu baú de verdades da infância e me deixou com gosto de pirulito colorido a vontade de escrever cada vez mais e ler, ler, ler.
Dica 1: "O olho de vidro do meu avô", Editora Moderna. São Paulo, 2004. A história é imperdível, baseada em fatos reais vividos pelo autor e por seu avô.
Trecho: "A casa de meu avô era silenciosa. Todas as palavras tinham sido ditas. Nada mais mudava do lugar. Mesmo no escuro se podia encontrar uma agulha na gaveta do criado que também era mudo. Uma casa sem palavras é uma casa vazia. Palavra povoa tudo. Corta o silêncio e, aonde chega, fica. Se a gente escreve, pode apagar, mas, se falamos, fica impossível recolher as palavras. Palavra é como borboleta, bate as asas e voa. Palavra não nasce em árvore, ela brota no coração. A gente sabe que ela tem cor, porém cada uma guarda uma ilusão. No alpendre da casa do meu avô havia três borboletas presas na parede. Suas asas eram de louça dura. Elas não partiam. Para voar é preciso asas leves e muito vazio pela frente. Para falar é preciso ter o que dizer".
Trecho: "A casa de meu avô era silenciosa. Todas as palavras tinham sido ditas. Nada mais mudava do lugar. Mesmo no escuro se podia encontrar uma agulha na gaveta do criado que também era mudo. Uma casa sem palavras é uma casa vazia. Palavra povoa tudo. Corta o silêncio e, aonde chega, fica. Se a gente escreve, pode apagar, mas, se falamos, fica impossível recolher as palavras. Palavra é como borboleta, bate as asas e voa. Palavra não nasce em árvore, ela brota no coração. A gente sabe que ela tem cor, porém cada uma guarda uma ilusão. No alpendre da casa do meu avô havia três borboletas presas na parede. Suas asas eram de louça dura. Elas não partiam. Para voar é preciso asas leves e muito vazio pela frente. Para falar é preciso ter o que dizer".
Dica 2: "Onde tem bruxa tem fada...", Editora Moderna. São Paulo, 2002. Este é para a criança que todos nós guardamos e teimamos em sufocar.
Trecho: "A fada compreendeu por era importante, para os mágicos, os meninos terem esperança. A esperança é uma coisa que sempre espera e nada faz...A fada não entendeu nada. Era a primeira vez que escutava um adulto. Apenas pensou: 'são mágicos e ainda falam uma outra língua'."
Trecho: "A fada compreendeu por era importante, para os mágicos, os meninos terem esperança. A esperança é uma coisa que sempre espera e nada faz...A fada não entendeu nada. Era a primeira vez que escutava um adulto. Apenas pensou: 'são mágicos e ainda falam uma outra língua'."
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